quinta-feira, 9 de abril de 2009

Rock de Kaoscinha*


Banda composta por meninas procura seu espaço na cena de rock independente e entra em estúdio no começo de 2009

Kaoscinha era um fanzine editado por Adrielle Cardoso (Drica) em conjunto com uma amiga entre 2006 e 2007. Paralelamente, amadureceram a idéia de montar uma banda. No ano passado, a publicação deixou de existir, mas deu nome ao grupo. Em seguida, a colega desistiu da iniciativa. Hoje, a formação conta com Drica, nos vocais; Helena, na guitarra; Natália, no baixo, e Melanie, na bateria.

A banda surgiu para quebrar dogmas e lutar por direitos em uma cena de rock independente onde predomina bandas masculinas. O objetivo é unir mulheres que têm afinidade com o meio e incentivá-las a buscarem seu espaço. “Nos shows é comum ver as meninas mais atrás e a participação não é tão ativa quanto a dos meninos”, compara Drica. Esse comportamento muda quando as apresentações envolvem bandas femininas e a postura é inspiração para o conjunto.

De acordo com Drica, o predomínio machista no meio impede a participação de mulheres em bandas. “Eles acham que instrumentos não foram talhados para garotas”, justifica. “Não precisamos mostrar nada para ninguém, sabemos que somos iguais.” Essa afinidade de idéias entre as integrantes resultou na formação do Kaoscinha que mescla punk rock e hardcore, mas não se limita a isso e está aberta a experimentações. “Tocamos rock cru e gritado ou dançante e empolgante”, resume. “É um rock livre de testosterona.”

A influência de cada integrante é distinta. Drica prefere o estilo da banda e gosta de bandas femininas como, Bikini Kill e Bulimia. Melanie possui o mesmo gosto da colega, mas suas raízes vêm do folk e rock progressivo. A vertente é compartilhada por Natália que ultimamente se baseia no ska e punk rock. Helena pensa diferente, prefere o metal com destaque para o death e thrash metal.

Primeiro EP sai em janeiro

O grupo não possui nenhum disco lançado, mas pretende entrar em estúdio no mês de janeiro para gravar um EP. A iniciativa já era pra ter acontecido, mas a banda sofreu um revés na bateria. Para isso, Melanie assumiu o posto para dar continuidade ao projeto e trabalhar em músicas próprias. Por enquanto, apenas “Máquina de Viver” está pronta. A letra traz referências à tecnologia e aborda a substituição do homem no mercado de trabalho. A realidade é retratada por meio de diversão e ironia.

A ausência de uma baterista também mudou a agenda do grupo. O último show foi realizado no mês de julho, em Garuva. Por falar em apresentações, Drica afirma que a cena de música independente de Joinville está numa crescente. “Cultura Monstro, Blasé, Fevereiro da Silva e Ursulla estão realizando shows nos cantos da cidade.”, avalia. Porém, a cidade continua carente de espaço. “Falta locais para a realização de shows e apoio cultural”, lamenta.

*Matéria publicada no Jornal Notícias do Dia em outubro de 2008
Foto: Fabrício Porto.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A válvula do Alva*



Thomas Alva Edison inventou a lâmpada elétrica incandescente, o gramofone e outros equipamentos que facilitaram o dia-a-dia. Para o rock, ele contribuiu com o díodo termiônico – também conhecido como a “válvula de Edison.” O material é composto por um dispositivo primitivo e foi determinante na criação da válvula usada nos amplificadores musicais.

Em Joinville, quatro admiradores de cubos valvulados resolveram homenageá-lo e batizaram a própria banda com o segundo nome do inventor: Alva.

O grupo foi formado em 2007 e conta com veteranos da cena de rock independente da cidade: Rafael Zimath, ex-Butt Spencer, guitarra e vocal; Lucky, Sanchez, baixo; Tiba, ex-Tormento dos Vizinhos, bateria; e Jean, ex-Fel, guitarra. A proposta da banda é fazer música inventiva e ao mesmo tempo dotada de vocais melodiosos – alguns berros, além de riffs pesados de guitarra/baixo que esquentem ao máximo as válvulas dos amplificadores. “É música cercada por paradoxos e antagonismos”, define de maneira peculiar o guitarrista Rafael.

A bagagem adquirida na participação de bandas extintas da cidade deixa Rafael à vontade para fazer uma revelação em nome do grupo. “Acho que para nós, fazer música é inevitável”, aponta. “Parece abstrato, mas talvez não seja a gente que tenha escolhido a música, mas o contrário.”

A estréia do Alva acontece no sábado, às 23 horas, no Zeppa. O conjunto divide o palco com a tradicional Os Depira no último show do ano no local. O ingresso custa R$ 5,00.

O Alva entra em estúdio no mês de novembro para gravar o primeiro disco da carreira. A banda foi contemplada no Edital de Apoio às Artes da Fundação Cultural de Joinville (FCJ). O álbum ficará pronto em março. Como o grupo é adepto de amplificadores valvulados, o material será gravado no o único estúdio com plataforma analógica do Sul do país, o Solo, de Curitiba. “Vamos gravar doze ou treze músicas para escolher quais entrarão no CD”, opina Rafael.

*Matéria publicada no Jornal Notícias do Dia em outubro de 2008
Foto: Fabrício Porto.

terça-feira, 7 de abril de 2009

‘Vício’ em forma de vinil*


Paulo Silveira se identificou com o LP, virou DJ e hoje conta com 800 discos em sua coleção

O vinil “luta” há duas décadas contra o CD e, quem previu a sua morte, se enganou. O “bolachão” está mais vivo do que nunca e vem ganhando adeptos da nova geração. Se o material conquista os jovens, imagina quem viveu a época e aprendeu a admirar o objeto. Paulo Silveira, 34 anos, é um deles e, há dois anos, trabalha como DJ de rock.

O primeiro contato com o vinil aconteceu após ganhar de presente de aniversário o disco de Rod Stewart, em 1986. O álbum possuía duas músicas. Porém, Paulo precisava de mais incentivo para se render ao “bolachão” e isso aconteceu graças a um amigo. “Eu ia na casa dele jogar futebol, videogame e, é claro, ouvir seus vinis”, recorda Paulo. “Eu gostei do formato e lance virou vício.”

Paulo foi atrás de outros vinis e virou “DJ” nas festinhas escolares de suas turmas entre a 6ª série e o segundo ano do 2º grau. Na época, usava dois aparelhos toca-discos e os improvisava como pick-ups. Depois, se aventurou em festas realizadas no Tênis Clube devido à outra amizade. “Tinha um amigo deixava eu discotecar no fim de festa”, sorri.

O estilo preferido é o rock e a postura nunca mudou. No início, o repertório privilegiava o estilo nacional do fim dos anos 80, com destaque para o Legião Urbana, Titãs e Ira. Os grupos internacionais ganharam espaço e The Cure, The Smiths e The Clash rodavam com freqüência nas pick-ups durante a rápida apresentação.

Em seguida, surgiu o CD e a maneira de discotecar ficou mais fácil. “As festas tinham aparelhos voltados à mídia e o processo era menos trabalhoso”, conta. “Tudo o que eu tinha em vinil comprei em CD.” Em 1996, Paulo foi chamado para trabalhar no bar Bartolomeu, no Centro, e aceitou o convite depois de avisar o dono que seu repertório era composto apenas de rock.

Na década atual, Paulo discotecou no show do Los Hermanos na capital, em 2003. Além de DJ, ele também é produtor de eventos e, no ano seguinte, trouxe o grupo carioca para a única apresentação da história do grupo em Joinville. Depois, organizou e colocou o público para dançar em festas na
Double Phase e Cais 90. No ano passado, participou de eventos no Old Music Bar e, em 2008, foi convidado para embalar um show em Balneário Camboriú.

Tocar em Joinville atualmente não é fácil pela falta de espaço. Ele se vira como pode e devido à música eletrônica a aceitação está mudando.

Coleção repleta de raridades


Paulo possui aproximadamente 800 LPs e se desdobra para aumentar a coleção. Recentemente adquiriu o álbum “Pet Sounds”, do Beach Boys e, “Amnesiac” do Radiohead. A edição do último é limitada e o material tem dez polegadas. Os vinis normais possuem 12 e, a metade, sete. Outro disco raro é o “4” do Los Hermanos onde foram prensadas apenas 1.000 cópias. A coleção ainda possui preciosidades como, LPs do Pixies, Faith no More e singles de todos os álbuns Legião Urbana. Além dos dois primeiros do Chico Science e Nação Zumbi.

O preço das raridades chama a atenção: “O disco do Radiohead no mercado pode chegar a duzentos dólares e, o do Chico Science, a cento e cinqüenta reais.” O problema é conseguir adquirir essas obras em leilões da internet ou em feiras do material. “Tem de correr atrás, eu consegui muita coisa garimpando.” Paulo já foi para o Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis atrás do objeto. “Vinil não é um investimento barato e eu tenho muita coisa importada”, garante. Segundo ele, DJ bom vai atrás de material e compra.

De acordo com Paulo, o vinil é o jeito mais seguro de combater a pirataria. Também tem todo um ritual para ouvir o LP e, além do lado A e B, o encarte é grande e a pessoa lê até os detalhes técnicos.

*Matéria publicada no Jornal Notícias do Dia em outubro de 2008
Foto: Rogério Souza

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Música em defesa da árvore*


Festival reúne cinco bandas com o objetivo distribuir sementes e arrecadar alimentos

O dia da arvore é comemorado no hemisfério sul no dia 21 de setembro – início da primavera. No Brasil, a data foi instituída há 30 anos para marcar o começo da nova estação e lembrar da preservação do maior símbolo do meio ambiente nacional. Nesse ano, a lua cheia fará “companhia” e deve aparecer reluzente entre as árvores para depois reinar soberana no céu.

A junção da data comemorativa com o satélite da terra resultou no “Festival da lua cheia, dia mundial da árvore”. A iniciativa foi criada pelos integrantes do Reino Fungi e teve a ajuda de alguns fãs da banda que “abraçaram” a idéia. O evento conta também com as bandas Os Depira, Fevereiro da Silva, Manifesto de Vida e Arueira/Paratodos.

Durante as apresentações, o público será presenteado com sementes de árvore e sorteios de vinis, CDs, DVDs, livros e camisetas do festival. Outra iniciativa depende dos espectadores. Além de pagar pelo ingresso, é preciso apresentar um quilo de alimento não-perecível – a medida vale para a compra antecipada e na hora dos shows. Os mantimentos arrecadados serão encaminhados para a Associação Joinvilense de Obras Sociais (Ajos) que destinará o montante a uma entidade do município.

Para a publicitária Bárbara Cardoso, a proposta do festival é interessante. “É uma boa idéia juntar o som que a gente curte com algo que irá fazer bem para o nosso planeta”, defende. A estudante Ana Lucia de Oliveira concorda e acrescenta: “Acho que deve ter todos os anos com edições maiores e mais ousadas.”

Álbum branco

O “Festival da lua cheia, dia mundial da árvore” acontece hoje, a partir das 22h, na sede campestre do 31 de Julho. O local fica na avenida Santos Dumont, 5632, no bairro Aventureiro. Os ingressos antecipados custam R$ 15,00 – mais um quilo de alimento não-perecível. Os bilhetes podem ser adquiridos na Rock Total Discos, Livrarias Curitiba e Circus Musicales. Na hora, o valor sobe para R$ 20,00 – mais um quilo de alimento não-perecível.

A banda Reino Fungi foi selecionada recentemente para integrar uma coletânea nacional em homenagem ao álbum Branco do Beatles – o disco faz 40 anos no dia 22 de novembro; Os Depira representam o conceituado rock etílico de Piracity; o Fevereiro da Silva continua divulgando o EP Funil; o Manifesto de Vida vem despontando como promessa do reggae na cidade; e o Arueira venceu o primeiro edital de apoio às artes promovido pela Fundação Cultural de Joinville (FCJ), em 2005.

Serviço
O quê: Festival da lua cheia, dia mundial da árvore
Quando: 20 de setembro, sábado, às 22h
Onde: Sede campestre do Clube 31 de julho, na avenida Santos Dumont, 5632, no bairro Aventureiro
Quanto: R$ 15,00 (antecipado na Livrarias Curitiba, Rock Total Discos e Circus Musicales) e R$ 20,00 (na hora) – nos dois casos é obrigatório a apresentação de um quilo não-perecível

*Matéria publicada no Jornal Notícias do Dia em setembro de 2008
Foto: Rogério Souza/ND

Blasè prepara novo disco*


Grupo joinvilense lança material inédito no mês que vem e retorna aos palcos amanhã

Um integrante do Lopez aqui, outro do Daven ali e do Estereotróia acolá. Assim nasceu o Blasè em 2003 com músicos de bandas independentes tradicionais da cidade e forte influência do rock inglês da década de 80. O nome do grupo tem a ver com o período gelado e enigmático que os três viveram durante os primeiros ensaios. No mesmo ano foi lançado uma demo com essa formação.

Em seguida, veio mais um trabalho com o novo componente oriundo de outro importante grupo da cidade, o Vacine. Depois de um grande período sem oferecer novo material, Helliot Jr (bateria e backing vocal), ex-Lopez; Milton Mills (vocal e guitarra), ex-Daven; Evandro Vieira (contrabaixo), ex-Estereotória e Clayton Galanti (guitarra), ex-Vacine, resolveram gravar as músicas Noite, Pirâmides, Tardes de Abril, Ficar só, Tanto faz, Primeiro Andar e H. Helliot Jr explica o nome sugestivo da última canção do EP em tom de brincadeira: “É a hora H do dia D. De atacar novamente e simboliza a volta do Blasè.”

A gravação foi ao vivo justamente para capturar as pegadas de bandas referências dos anos 70 e 80. A sonoridade do registro agrega influências de The Cure e Joy Division; passa pelo rock nacional do Ira! e Plebe Rude; e finaliza com as bandas atuais Bloc Party e Interpol.

As letras compostas pelo vocalista e guitarrista Milton Mills continuam afiadas e são um dos diferencias do conjunto.

A preocupação com a qualidade do material foi importante. A banda deixou de fazer shows no início do ano e só entrou em estúdio após exaustivos ensaios. A proposta era registrar as músicas de maneira concisa para agradar os integrantes. “Somos muito críticos em relação a isso”, destaca Helliot Jr. O EP será lançado de forma física e independente. Atualmente o grupo está definindo a arte da capa.

O show de lançamento acontece no mês que vem, mas antes de terminar setembro, o público poderá conferir as músicas do EP amanhã, às 16 horas, no Bar Funil. O local fica na rua Dona Francisca, 2057, Saguaçu – próximo à antiga Autolândia. Além do Blasè, sobem ao palco Ursulla e Bela Infanta. O ingresso custa R$ 4,00. Mais informaçõesno www.fotolog.com/banda_ursulla

Serviço
O quê: Show com as bandas Blasè, Ursulla e Bela Infanta
Quando: amanhã, 28, às 16 horas
Onde: Bar Funil. Rua Dona Francisca, 2057, Saguaçu – próximo à antiga Autolândia
Quanto: R$ 4,00
Informações: www.fotolog.com/banda_ursulla

*Matéria publicada no Jornal Notícias do Dia em setembro de 2008