segunda-feira, 6 de abril de 2009

“Tem que dançar dançando”*


DJ Vigas prepara clipe para divulgar trabalho e difundir discotecagem funk/groove em Joinville

Guitarrista da banda Medíocres e DJ de trance. É mais ou menos por aí que se resume os dez anos de trajetória musical do joinvilense Leandro Mendes, o DJ Vigas. Mas, não é só isso. A inquietação faz parte de sua personalidade e, atualmente, discoteca funk, groove e dub; toca percussão na banda de reggae Adamaoua; mantém um projeto duo que envolve guitarra, sintetizador e percussão e, para finalizar, está produzindo o clipe de uma música própria, batizada de “Tem que dançar dançando.”

A idéia de fazer um clipe surgiu devido a pós-graduação em cinema que está sendo realizada em Curitiba. A iniciativa foi colocada em prática no último Festival de Dança. Na ocasião, foram usadas duas câmeras e o ator Guilherme Fernandes, ex-Malhação, interpretou o personagem que dançava ao seu modo e pedia dicas aos participantes do Festival para melhorar o desempenho. O vídeo continua em um sebo, mas essa parte não foi gravada por falta de verba. “A intenção é transportar o pensamento para o vinil e dar um efeito de volta no tempo.”

A música “Tem que dançar dançando” é um sampler de Jorge Ben Jor e não está pronta. “Falta colocar metais e percussão”, avisa o DJ Vigas. A intenção é deixar tudo pronto até o final do ano para fazer o lançamento no início de 2009. A divulgação será feita por meio do You Tube e Myspace, mas não pára por aí: “vou divulgar em todos os meios possíveis pois o clipe pode abrir portas.” Além da canção do vídeo, ele possui mais sete músicas autorais.

Estilo pouco explorado

A discotecagem funk/groove é bastante difundida em Curitiba e São Paulo. Conforme o DJ Vigas, se destacam os DJs paranaense Schasko e o paulista Soneca. O último tem um projeto chamado de Trotter. Segundo ele, a intenção é aproveitar o momento e trazer para a cidade esse tipo de festa. “Estou com um projeto chamado grooville e pretendo colocá-lo em prática em breve”, projeta.

Na opinião dele, a mudança de estilo foi em virtude de criação. “Eu estava cansado de discotecar música dos outros (trance) e essa parte funk/groove dá para explorar legal”, compara. Ele iniciou nas pick ups em 2001 com o set voltado ao trance. De 2007 para cá, passou a aprimorar-se no estilo funk/groove.

O funk e o groove são bastante explorados por artistas e bandas brasileiras. E, para seguir nessa linha, o DJ Vigas utiliza samplers nacionais e acrescenta um pouco de outros estilos. “Tem uma música que tem um trecho do Cordel do Fogo Encantado”, explica. “Também tem Nação Zumbi no repertório, além de maracatu.”

As músicas do DJ Vigas estão disponíveis no site: http://www.myspace.com/djvigas. As canções podem ser solicitadas pelo e-mail: leandrommendes@gmail.com. O endereço também serve para contato de shows.

O quê: DJ Vigas (funk/groove)
Onde: http://www.myspace.com/djvigas
Contato: leandrommendes@gmail.com e 9181-6823

*Matéria publicada no Jornal Notícias do Dia em agosto de 2008.
Foto: Joyce Reinert/ND

Vou mudar para o interior!



Primeiro acreditei que era algo pontual, localizado em certos redutos e por isso nunca cheguei a comentar mas de uns tempos pra cá a visão que tenho de cidades de interior é que: Lá estão as oprtunidades! Enquanto milhões de seres se acotovelam nas grandes cidades por uma oportunidade de trabalho, de alimentação, de estudo, até amorosa, o interior do Brasil vem ensinando aos culturados cosmopolistas como é que se promove o cenário local. Acredito que em cidadaes como Rio de Janeiro e São Paulo essa noção da “coisa nossa” se perdeu em meio a embarques e desembarques do Santos Dumont ou do perigoso aeroporto de Guarulhos. Somos internacionais por aqui. Sabemos detalhadamente tudo o que rola no subúrbio de Paris, nos guetos de Nova Iorque mas nem mesmo sabemos chegar no Parque Edu Chaves (para os paulistas) ou em Marechal Hermes (para os cariocas).

No cenário ao qual participo, o da música independente, nossa cidade maravilhosa é uma completa trevas para as bandas. Organizadores aproveitadores (pague para tocar), falta de prestígio pela produção autoral, casas sem estrutura e descaso do poder público relegam o cenário a um patamar abaixo do merecido. Bandas cariocas que se mantém na ativa, para que tenham bons shows e público, tornam-se nômades. Ficam de 6 a 10 meses sem fazer um show sequer em sua cidade. São Paulo o cenário muda mas ainda possui características em comum. O número de casas é absurdamente maior ao carioca e ainda há certa estrutura mas como no Rio de Janeiro, o cenário independente possui um abismo entre as péssimas e boas casas ao qual apenas uma boa apresentação ou CD não é o suficiente. Um Paitrocínio para bancar a abertura daquela banda sensação ou daquela roupa da moda é mais importante do que o som dos instrumentos. A culpa é quem se rebaixa a essa situação, de quem entra para uma atividade MUSICAL colocando outros quesitos na frente deste que sempre deveria ser o principal.

Eventos como o Cardápio Underground, liderado pelo mestre Quique Brown em Bragança Paulista, o Festival Hardcore Contra a Fome de Teresópolis, o Linguarudos de Joinville, o Alternativo Rock Festival 2008 de Itabirito, o Monster Of Roça de Paraibuna entre tantos outros mostram que fora doa grandes centros iniciativa privada e pública abrem-se a experimentação, a tentativa, apostam na cultura sem que exigam absurdos retornos financeiros, assim abrindo espaço para a cultura local.

Vale lembrar que não citei os atualmente mega festivais Abril Pró Rock, MADA, Do Sol, Goiânia Noise (que está desembarcando em SP) e outros que começaram miúdos, sem grandes pretensões e agora são referencias nacionais.

Fonte: Verbalence

Público e bandas fizeram o Linguarudos ferver



Se depender do astral no Garage, do entusiasmo do público e das performances das bandas escaladas, o Festival Linguarudos tem presença garantida no calendário musical joinvilense por muitos e muitos anos. Que assim seja, porque a festa ferveu dentro e fora do bar, e mesmo que não tenha sido perfeita, serviu pra mostrar o bom momento que vive a cena alternativa da cidade - pena que o final do ano tá aí o recesso é inevitável. Na contabilidade da organização, cerca de 300 pessoas passaram pelo Garage no sábado (29), um número bem acima do esperado. Até o mitológico Bananeira deu as caras pra dar o seu aval ao evento.

O tempo ajudou - bem mais do que aquele acesso horrível da rua dos Esportistas -, e quem foi tava realmente a fim de se divertir e esquecer a tragédia que o Estado vive nestes dias. Aliás, o carro do Hélio (Fevereiro da Silva) saiu rebaixado com tanta comida e roupa recolhidas junto com o ingresso. Parabéns também por isso.

As bandas embarcaram na empolgação e mostraram serviço. Com quase duas horas de atraso, o Ursulla faria uma apresentação-relâmpago, mas resolveu esticá-la um pouco mais quando sentiu o calor da platéia. Na seqüência veio o Lost in the Box. Com um verdadeiro dínamo atrás da bateria, a banda fez a temperatura aumentar com um hardcore berrado, cheio de quebras e andamentos, igualmente destruidor em músicas sem firulas, como "War". O momento Los Hermanos, com a versão de "Quem Sabe", acertou a platéia em cheio.

O Kaoscinha sonha em reproduzir por aqui o movimento rrriot girl, mas bate mesmo é na porta do poppy-punk. Foi divertido, apesar (ou por causa) das inegáveis limitações técnicas das integrantes. Gustavo, do Cultura Monstro, deu uma forcinha no final do show das meninas e voltou logo em seguida à frente de sua própria banda, que contou com a melhor sonorização da noite. Que evolução em relação ao material que ouvi no Myspace! Um grupo redondo, bem entrosado, que não soa estranho ao ir do samba-rock ao funk metal e depois pro hardcore. As letras são abusadas, mas o quarteto não tenta ser engraçadinho. Tem futuro a garotada, especialmente em cima do palco.

O Blasè voltou a mostrar que sua fase "crua e direta" é muito eficiente. As guitarras altas, a cozinha saliente e as melodias escuras superaram a desconfiança de parte do público e um semi-pogo se formou. Um probleminha com a guitarra do Clayton quebrou um pouco o encantamento. Mas o saldo final foi bem positivo, ainda mais com nova música (muito boa) no repertório.

E eu fiquei por aí. As dores nas costas e a falta de álcool - afinal, o caminho de volta era longo e é bom pegar leve - me botaram dentro do carro antes de ver Fevereiro da Silva, Habroma e Sanchez. Fiquei sabendo depois pelo próprio Maia que o retorno da banda aos palcos ficou prejudicado por problemas técnicos e pelo adiantado da hora - era perto das 6 da manhã de domingo quando ela fez sua curtíssima apresentação.

Apesar de chateado com o ocorrido, Maia nem pensou duas vezes em exaltar o sucesso do Linguarudos. Feliz com o público, com as bandas, com a colaboração de todos. É isso aí. Com pequenos ajustes, o festival tem tudo pra se tornar a grande vitrine do rock alternativo joinvilense.

Tem aí três vídeos com registros da noite. Me perdoem se a gravação não for tudo aquilo, mas é que em matéria de fazer imagens e tirar fotos eu ainda sou um mero apertador de botões iniciante. Na seqüência, Lost in the Box, Cultura Monstro e Blasè.

Fonte: A Notícia

Schwanke, o patrono do rock

A matéria-prima predominante das obras de Luiz Henrique Schwanke (1951-1992) sempre foi a rebeldia. Dos baldes que empilhou no centro de Joinville que fez centenas de joinvilenses se perguntarem se aquilo era arte ou arruaça às obras premiadas em mostras nacionais, seus trabalhos refletiam um espírito inquieto e indomável. Natural que ele atraísse a admiração de pessoas que também têm uma tradição de rebeldia a zelar: os roqueiros da cidade. Hoje, ocorre em Joinville o Festival Linguarudos, evento no qual oito bandas celebram a trajetória de Schwanke.

Quando a organização do festival estava bolando um tema para o evento, o nome de Schwanke literalmente apareceu no meio do caminho. Marcos Maia, guitarrista da banda Sanchez e idealizador do projeto, estava quebrando a cabeça para bolar um gancho para o festival. Queria algo de apelo regional, e que expressasse a essência do festival. Um dia, caminhando na cidade, encontrou João, guitarrista da Cultura Monstro, que vestia uma camiseta estampada por um desenho de Schwanke. “Aquela serigrafia da série Linguarudos era a cara do festival, foi perfeito”, diz.

O primeiro contato de Maia com as obras de Schwanke foi em 1989 – os polêmicos baldes empilhados na praça da Bandeira. Como boa parte da população, Maia não entendeu nada. Em 1996, ao ler uma reportagem sobre a série “Linguarudos”, ele foi fisgado. “Me identifiquei na hora com a irreverência do Schwanke. E sua obra tem muita a ver com o rock. Ele era influenciado pela pop art, que inspirou várias bandas”, explica Maia.

O organizador acredita que o festival ajudará a divulgar a obra de Schwanke entre um público mais jovem. “Muitos dos músicos que tocam hoje não conhecem muito bem os trabalho do artista, mas, agora, vão passar a entender melhor”, assinala. Entre as atrações da noite, o destaque é a banda de Maia, Sanchez, que retorna à ativa depois de dois anos longe dos palcos. Também tocam no festival as bandas Fevereiro da Silva, Cultura Monstro, Ursulla, Blasè, Habroma, Kaoscinha e Lost in the Box.

Na série “Linguarudos”, Schwanke pintou perfis anônimos, figuras com a língua de fora. O artista jamais intitulou a série, foi a imprensa que deu esse nome. “Conversei com a presidente do Instituto Schwanke, Nadja Lamas, e ela disse que o Schwanke não se importou com o nome. Acho que ele ficaria feliz também com nosso festival”, imagina Maia.

MAIS

O QUÊ: Festival Linguarudos.

QUANDO: hoje, às 21 horas.

ONDE: Garage Bar, rua dos Esportistas, 130, Itinga, Joinville.

QUANTO: os ingressos antecipados estão à venda por R$ 5 e um quilo de alimento não- perecível, na loja Vaka Loka (rua do Príncipe, próximo ao Banco do Brasil). Na hora, os ingressos custam R$ 7 e um quilo de alimento não-perecível. O Garagem vai coletar doações de colchões, cobertores e material de limpeza para as vítimas das chuvas.

rodrigo.schwarz@an.com.br
RODRIGO SCHWARZ | JOINVILLE

Fonte: A Notícia